Qual o impacto de variações cambiais na dinâmica da inflação de alimentos no Brasil?
Este estudo busca estimar o grau de repasse cambial para a inflação de alimentos no Brasil por meio de modelos lineares e não-lineares para o período entre 2003 e 2025. Os resultados obtidos a partir dos modelos lineares sugerem um baixo grau de repasse cambial, com efeitos estatisticamente significativos com defasagem de até seis meses. Já as estimativas não-lineares indicam uma assimetria no mecanismo de preços: enquanto depreciações cambiais pressionam os preços de alimentos para cima, apreciações não parecem resultar em queda na inflação. Em contraste, a inércia inflacionária e os choques de oferta decorrentes de eventos climáticos (especialmente o fenômeno La Niña) mostram-se fatores mais relevantes para a explicação da dinâmica da inflação de alimentos no Brasil.
