A renda e as desigualdades como vetores da insegurança alimentar no Brasil
Esta nota analisa a centralidade da renda como vetor determinante da condição de insegurança alimentar nos domicílios brasileiros. Para isso, apresentamos brevemente o conceito de segurança alimentar e nutricional e elaboramos acerca de sua forte relação com a desigualdade de renda no Brasil. Em seguida, apresentamos uma análise descritiva com base nos dados da POF 2017–2018 e seguindo a EBIA (Escala Brasileira de Insegurança Alimentar). Nela, expomos as diferentes condições de segurança alimentar dos domicílios segundo estratos de renda, raça e gênero da pessoa de referência do domicílio e localização rural ou urbana. A estas estatísticas acrescentamos uma avaliação a partir do método de Análise de Correspondência Múltipla (ACM), que permite representar de forma visual e gráfica como interagem as diferentes características dos domicílios com a condição de segurança alimentar. Os resultados da ACM vão em linha com os apontamentos da literatura e revelam como os domicílios que estão entre os 50% mais pobres estão muito mais próximos da condição de Insegurança Alimentar Leve e Moderada, em relação aos que se encontram no estrato intermediário (50%-90%) de renda. O mesmo ocorre com domicílios chefiados por pessoas negras e com dependentes menores de 18 anos, que se aproximam da condição de Insegurança Alimentar Leve e Moderada, enquanto domicílios chefiados por pessoas brancas e sem dependentes se aproximam da condição de Segurança Alimentar. Por fim, destaca-se a proximidade de domicílios em situação rural e cujo chefe não possui nenhum grau de instrução da condição de Insegurança Alimentar Grave. Em resumo, os resultados evidenciam as associações entre a insegurança alimentar, a concentração de renda e as desigualdades que com ela se interseccionam.
