Tax-financed green policies and income inequality in an agent-based model
A preocupação com a crise climática tem impulsionado a decarbonização de diversas economias. O objetivo central deste esforço é reconfigurar os sistemas produtivos de forma a dissociar as trajetórias das emissões de carbono e de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Intrinsecamente complexas, essas transformações estão sujeitas à consequências macroeconômicas que não podem ser totalmente antecipadas. O presente artigo foca em um aspecto chave desse processo: o impacto sobre a distribuição de renda. Com base em um modelo baseado em agentes (ABM, na sigla em inglês), investiga-se como diferentes poíticas de descarbonização, quando financiadas via tributação, impactam a desigualdade de renda. Especificamente, a pergunta central é se —e em quais condições — é possível fazer convergir crescimento do produto, redução das emissões de carbono e diminuição da desigualdade de renda. Como a descarbonização exige instrumentos de financiamento e de política ambiental, o artigo simula diferentes arranjos que combinam estas ferramentas. As simulações focam em dois instrumentos fiscais distintos, um imposto sobre carbono ou um imposto sobre riqueza. Estes tributos, por sua vez, financiam as seguintes políticas verdes: (i) subsídio de preço para as empresas menos poluentes, (ii) P&D público verde não patenteado, (iii) subsídio para P&D verde privado, e (iv) compras públicas verdes. Tanto o imposto sobre carbono quanto o imposto sobre a riqueza servem como instrumentos de financiamento da descarbonização, mas com características distintas. Enquanto o primeiro atua também como instrumento de política ambiental, o segundo funciona essencialmente como mecanismo redistributivo. Nossos resultados indicam que essa distinção é crucial para moldar a interação entre crescimento, emissões de carbono e distribuição de renda.
