Escala 7x0: a jornada que não acaba para as mulheres brasileiras

O deba­te sobre a jor­na­da de tra­ba­lho no Bra­sil ganhou cen­tra­li­da­de com a pro­pos­ta de extin­ção da esca­la 6x1 e redu­ção da jor­na­da máxi­ma pre­vis­ta na CLT. A nota traz um olhar adi­ci­o­nal à temá­ti­ca, a par­tir da esti­ma­ção da jor­na­da real de tra­ba­lho de homens e mulhe­res no país, soman­do às horas remu­ne­ra­das o tem­po dedi­ca­do ao cui­da­do não remu­ne­ra­do. Com base em dados apri­mo­ra­dos de uso do tem­po, cons­truí­dos a par­tir da PNADc de 2019, as esti­ma­ti­vas reve­lam que, soma­das as horas remu­ne­ra­das e não remu­ne­ra­das, as mulhe­res bra­si­lei­ras tra­ba­lham em média 58,1 horas sema­nais, ante 50,3 horas dos homens. Sua car­ga de tra­ba­lho não remu­ne­ra­do che­ga a 21,3 horas sema­nais, mais do que o dobro das 8,8 horas mas­cu­li­nas, con­fi­gu­ran­do uma jor­na­da total equi­va­len­te a uma esca­la 7x0: todos os dias da sema­na, sem fol­ga. Esse padrão per­sis­te em todos os recor­tes de ren­da e jor­na­da ana­li­sa­dos. Assim, se defen­de que a redu­ção da jor­na­da de tra­ba­lho não é ape­nas neces­sá­ria para redu­zir a sobre­car­ga do tra­ba­lho de cui­da­do sobre a vida das mulhe­res, mas essen­ci­al para a cons­tru­ção de uma soci­e­da­de com­pa­tí­vel com a repro­du­ção da vida.

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