Desigualdade de renda como limite ao impacto positivo do investimento público na redução da intensidade de carbono (CO₂/PIB): Evidências da América Latina
Esta Nota de Política Econômica examina empiricamente o impacto dos investimentos do governo sobre as emissões de carbono em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) em um painel de países da América Latina no período de 1994 a 2019. A análise parte do pressuposto analítico bastante plausível de que a desigualdade de renda pode condicionar a efetividade das políticas ambientais, ao influenciar tanto os padrões de consumo quanto os efeitos macroeconômicos do gasto público.
Para captar essa possibilidade, utiliza-se um modelo de Projeções Locais Não Lineares apresentado em Jordà (2005). Os resultados indicam que, em contextos de desigualdade de renda relativamente baixa, o investimento público exerce um efeito negativo e estatisticamente significativo sobre a intensidade de carbono da economia (CO2/PIB). Especificamente, um aumento de 10% no investimento público está associado a uma redução aproximada de 4,4% na intensidade de carbono até o quarto ano após o choque. Em contrapartida, no regime de desigualdade de renda relativamente alta, o efeito estimado não é estatisticamente significativo, sugerindo que uma elevada concentração de renda limita a capacidade do investimento público de promover trajetórias de crescimento menos emissoras de carbono.
Esses resultados corroboram a literatura recente que associa níveis mais elevados de desigualdade de renda a maiores emissões de carbono. Eles também sugerem que políticas redistributivas que diminuam a desigualdade de renda potencializam os efeitos ambientais positivos do investimento público. Isso reforça a importância de combinar política fiscal redistributiva voltada à redução da desigualdade de renda com investimentos verdes, de forma a melhor conciliar crescimento econômico, menor desigualdade distributiva e descarbonização.
