Mercado de Terras na Amazônia é Entrave ao Desenvolvimento Sustentável no Brasil: Medidas Urgentes para que a Nação Assuma o Controle sobre suas Terras e Florestas Visando Prosperidade Inclusiva

A dinâ­mi­ca fun­diá­ria cons­ti­tui pro­ble­má­ti­ca cen­tral do desen­vol­vi­men­to sus­ten­tá­vel, pro­je­tan­do e ampli­an­do na Amazô­nia a mar­can­te desi­gual­da­de da pro­pri­e­da­de da ter­ra no Bra­sil e se ins­tau­ran­do como fun­da­men­to de for­mas de uso da ter­ra de bai­xa efi­ci­ên­cia econô­mi­ca e estres­so­res da cri­se ambi­en­tal. O mer­ca­do de ter­ras da região lide­ra essa dinâ­mi­ca. Esta Nota de Polí­ti­ca Econô­mi­ca expõe as sin­gu­la­ri­da­des des­se mer­ca­do, apon­ta para suas impli­ca­ções nega­ti­vas e indi­ca ações para a mudan­ça. Pri­mei­ro, des­cre­ve os com­po­nen­tes do mer­ca­do e as inte­ra­ções entre eles à luz das con­di­ções de apro­pri­a­ção das ter­ras. A aná­li­se veri­fi­ca que, entre 2006 e 2017, os mai­o­res esta­be­le­ci­men­tos se apro­pri­a­ram de 20,7 milhões de hec­ta­res de ter­ras públi­cas (14,3 milhões em lotes aci­ma do limi­te cons­ti­tu­ci­o­nal) e ven­de­ram 70% delas a esta­be­le­ci­men­tos meno­res. Ade­mais, suge­re-se que as orga­ni­za­ções finan­cei­ras são indi­fe­ren­tes às ele­va­das pro­ba­bi­li­da­des de irre­gu­la­ri­da­de ine­ren­tes a essas pos­ses, o que per­mi­te indi­car um regi­me de apro­pri­a­ção de fac­to, que se enten­de­rá à luz da cate­go­ria de direi­to econô­mi­co de pro­pri­e­da­de. Em um segun­do pas­so, se ana­li­sam as regras des­se mer­ca­do, reve­lan­do-se que os cus­tos de pro­du­ção e tran­sa­ção que con­di­ci­o­nam a ofer­ta de ter­ras são deci­si­va­men­te influ­en­ci­a­dos pelo regi­me ins­ti­tu­ci­o­nal, a cujas sin­gu­la­ri­da­des se pode atri­buir até 70% do des­ma­ta­men­to. Os níveis de con­cen­tra­ção da pro­pri­e­da­de da ter­ra que se asso­ci­am a essa rea­li­da­de são ana­li­sa­dos em segui­da e seus efei­tos sobre a con­cen­tra­ção de outros ati­vos e da ren­da, inclu­si­ve da que resul­ta­rá de polí­ti­cas ambi­en­tais, são veri­fi­ca­dos. No final, se pro­põem medi­das que, pri­mei­ro, atin­jam os fun­da­men­tos ins­ti­tu­ci­o­nais do arran­jo, habi­li­tan­do esta­do e soci­e­da­de civil a dis­tin­guir o que ile­gal do que não é, no tur­vo uni­ver­so fun­diá­rio da região; com isso, em um segun­do momen­to, pro­põe fazer vol­tar ao con­tro­le do Esta­do as flo­res­tas que ile­gal­men­te encon­tram-se sob con­tro­le privado.

*Este docu­men­to é uma segun­da ver­são da NPE 60, publi­ca­da pri­mei­ra­men­te em 17/12/2024. A Nota pas­sou por revi­são e foi alterada.

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