Ajuste via receita ou via gasto? Cenários de ajuste fiscal considerando estimativas de efeitos multiplicadores

Essa Nota atu­a­li­za as esti­ma­ti­vas de mul­ti­pli­ca­do­res fis­cais de dife­ren­tes com­po­nen­tes do gas­to e da recei­ta no Bra­sil apre­sen­ta­das em San­ches e Car­va­lho (2022) e uti­li­za os resul­ta­dos para simu­lar o efei­to de dife­ren­tes polí­ti­cas de ajus­te fis­cal. Para a rea­li­za­ção de esti­ma­ti­vas mais pre­ci­sas dos mul­ti­pli­ca­do­res, ajus­ta­mos os dados de gas­tos e recei­tas do gover­no fede­ral seguin­do meto­do­lo­gia de Gobet­ti e Orair (2017), assim como em San­ches e Car­va­lho (2022). Os mul­ti­pli­ca­do­res são esti­ma­dos com dados de 1997 a 2023, com exclu­são de 2020 e 2021, anos atí­pi­cos devi­do à pan­de­mia de Covid-19, e uti­li­zan­do-se a meto­do­lo­gia de mode­lo veto­ri­al autor­re­gres­si­vo estru­tu­ral (SVAR).

Os resul­ta­dos indi­cam que o impac­to ime­di­a­to sobre o PIB é posi­ti­vo para um aumen­to dos gas­tos, sobre­tu­do inves­ti­men­to públi­co e bene­fí­ci­os soci­ais, e nega­ti­vo para o aumen­to da recei­ta via ele­va­ção de impos­tos. A um pra­zo mais lon­go, con­tu­do, o efei­to nega­ti­vo do aumen­to da recei­ta se tor­na não sig­ni­fi­can­te, enquan­to os efei­tos posi­ti­vos do inves­ti­men­to públi­co e dos bene­fí­ci­os soci­ais per­sis­tem: para cada real gas­to com inves­ti­men­to e bene­fí­cio soci­al, o PIB ten­de a aumen­tar R$ 2,6 e R$ 2,15, res­pec­ti­va­men­te, após 25 meses.

Do pon­to de vis­ta tan­to de cres­ci­men­to econô­mi­co quan­to de um poten­ci­al con­tro­le do endi­vi­da­men­to públi­co, a melhor polí­ti­ca é a com­bi­na­ção de aumen­to de recei­tas e de gas­tos com inves­ti­men­to públi­co ou bene­fí­ci­os soci­ais. As medi­das que geram o mai­or cus­to em ter­mos de impac­to no PIB e poten­ci­al ele­va­ção da razão dívi­da-PIB, por sua vez, estão asso­ci­a­das ao ajus­te via cor­te jus­ta­men­te de inves­ti­men­to e bene­fí­ci­os soci­ais. Nos­sos resul­ta­dos tam­bém demons­tram como o cor­te de sub­sí­di­os é, de fato, a melhor polí­ti­ca do lado dos gastos.

Nos­sas simu­la­ções indi­cam tam­bém que um con­tin­gen­ci­a­men­to orça­men­tá­rio de cer­ca de 0,32%, pos­si­vel­men­te neces­sá­rio para o cum­pri­men­to da meta fis­cal de 2024, pode gerar, em um perío­do de um ano, um efei­to nega­ti­vo sobre o PIB de 0,78% se o cor­te for sobre inves­ti­men­tos, 0,58% se for sobre bene­fí­ci­os soci­ais, e pra­ti­ca­men­te nulo se fos­se sobre subsídios.

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