Paradoxos do Lulismo: a desconexão entre resultados macroeconômicos e percepção sobre a economia
O artigo analisa o paradoxo do terceiro mandato de Lula, marcado pela coexistência entre bons resultados macroeconômicos, como crescimento do PIB, queda do desemprego, redução da inflação e da pobreza, e uma percepção negativa da população sobre a economia. Argumenta-se que esse descompasso decorre de fatores estruturais: 1. a persistência do impacto da inflação recente sobre o bem-estar, 2. a comparação com o ciclo excepcional de mobilidade social dos anos 2000, 3. a elevação das aspirações de consumo impulsionada pelas redes sociais e 4. a frustração de uma geração escolarizada que não encontra empregos compatíveis com sua formação. Nesse contexto, fenômenos como o endividamento elevado das famílias e a expansão das apostas online (bets) são interpretados como sintomas do hiato entre renda e aspirações. A conclusão central é que, embora o atual modelo econômico produza resultados macroeconômicos consistentes, ele é insuficiente para gerar uma experiência ampla de prosperidade. O ensaio sugere uma agenda integrada que combine maior progressividade tributária, expansão de serviços públicos (especialmente em saúde, educação e transporte) e uma política voltada à diversificação produtiva, capaz de gerar empregos qualificados e absorver uma população mais escolarizada. Também propõe enfrentar entraves macroeconômicos estruturais, como o nível elevado dos juros e a volatilidade cambial, além de ampliar o espaço fiscal por meio de aumento de receitas e revisão da regra fiscal para viabilizar um novo ciclo de expansão de investimentos públicos em infraestrutura física e social. Em conjunto, essas medidas buscam acelerar o processo de crescimento econômico inclusivo e trazer uma melhora mais expressiva na qualidade de vida dos brasileiros.
