Uma Regra de Sahm para o Brasil: desemprego e alerta rápido de recessões
Esta Nota de Política Econômica propõe uma adaptação da Regra de Sahm para o Brasil, com o objetivo de construir um indicador simples, transparente e de rápida atualização para identificar o início de recessões. Diferentemente das datações oficiais, necessariamente retrospectivas, uma regra baseada em dados mensais do mercado de trabalho pode apoiar decisões de política econômica ainda durante a deterioração da atividade. A Regra de Sahm original sinaliza recessão quando a média móvel de três meses da taxa de desemprego supera em 0,5 ponto percentual seu menor valor nos doze meses anteriores. Para aplicá-la ao Brasil, construímos uma série mensal e dessazonalizada de desemprego entre 1980 e 2026, compatibilizando dados da Pesquisa Mensal de Emprego e da PNAD Contínua. Em seguida, testamos diferentes limiares e comparamos os resultados com a cronologia de recessões do CODACE-FGV. Os exercícios indicam que o limiar de 0,5 ponto percentual utilizado nos Estados Unidos tende a sinalizar com atraso parte das recessões brasileiras. O melhor compromisso entre rapidez de detecção e falsos positivos é obtido com um aumento de 0,3 ponto percentual. Denominado Indicador Made, esse gatilho identifica os principais episódios recessivos do período, incluindo as crises do final dos anos 1980, de 1995, de 1997–1999, de 2001–2003, de 2008–2009, de 2014–2017 e da pandemia. O limiar mais baixo pode refletir características estruturais do mercado de trabalho brasileiro. A elevada informalidade e a saída de trabalhadores da força de trabalho amortecem a resposta do desemprego aberto à queda da atividade. Assim, aumentos relativamente pequenos da taxa de desocupação podem conter informação relevante sobre a deterioração cíclica. O indicador também sinaliza episódios não classificados como recessões pelos métodos tradicionais, como 2005–2006 e o início de 2013, sugerindo que dados do mercado de trabalho podem captar perdas de bem-estar não imediatamente visíveis no PIB. Desde agosto de 2021, o indicador não registra nova recessão, configurando o mais longo período sem recessão da série. O Indicador Made não substitui a datação do CODACE, mas oferece um mecanismo operacional de alerta rápido, potencialmente útil para orientar respostas fiscais, monetárias e de proteção social.
