NPE 48: Os impactos da distribuição de renda na relação entre o investimento público e privado

O PIB em 2023 cres­ceu 2,9%, bem aci­ma das expec­ta­ti­vas. No entan­to, o inves­ti­men­to apre­sen­tou uma tra­je­tó­ria de que­da de ‑1,1% no acu­mu­la­do de qua­tro tri­mes­tres, em rela­ção aos acu­mu­la­dos nos qua­tro tri­mes­tres ime­di­a­ta­men­te ante­ri­o­res. Isso sig­ni­fi­ca que hou­ve uma redu­ção do inves­ti­men­to em pro­por­ção ao PIB. Mas, qual será o com­por­ta­men­to do inves­ti­men­to nos pró­xi­mos anos? O que se espe­ra que ocor­re­rá com o inves­ti­men­to pri­va­do, caso o públi­co pla­ne­ja­do pelo gover­no Lula III se efe­ti­ve? Nes­ta Nota dis­cu­ti­mos a rela­ção entre os gas­tos do gover­no, em par­ti­cu­lar o inves­ti­men­to públi­co, e o inves­ti­men­to pri­va­do. Além dis­so, explo­ra­mos, a par­tir de um exer­cí­cio eco­no­mé­tri­co, como muda essa rela­ção a depen­der dos dife­ren­tes níveis de desi­gual­da­de de ren­da. Com base na lite­ra­tu­ra empí­ri­ca, é pos­sí­vel espe­rar uma rela­ção de com­ple­men­ta­ri­da­de dos inves­ti­men­tos públi­co e pri­va­do para os pró­xi­mos anos. Embo­ra não se pos­sa afir­mar com pre­ci­são como se com­por­ta­rão as deci­sões dos inves­ti­do­res, as esti­ma­ti­vas mais recen­tes para a eco­no­mia bra­si­lei­ra suge­rem um efei­to crow­ding-in nos inves­ti­men­tos pri­va­dos. Uti­li­zan­do um mode­lo Threshold Vec­tor Auto­re­gres­si­ve (TVAR) para o Bra­sil no perío­do 1996–2022, des­co­bri­mos que um aumen­to de 10% no inves­ti­men­to públi­co leva a um aumen­to de 3,4% nos inves­ti­men­tos pri­va­dos após  qua­tro tri­mes­tres em con­di­ções de menor desi­gual­da­de de ren­da. Em con­tras­te, a res­pos­ta do inves­ti­men­to pri­va­do ao inves­ti­men­to públi­co em cená­ri­os de mai­or desi­gual­da­de de ren­da não é esta­tis­ti­ca­men­te sig­ni­fi­can­te. As nos­sas con­clu­sões refor­çam o poten­ci­al de redu­ções na desi­gual­da­de de ren­da para melho­rar as con­di­ções macro­e­conô­mi­cas. É, por­tan­to, impor­tan­te garan­tir que o inves­ti­men­to públi­co pla­ne­ja­do pelo gover­no, de fato, se efe­ti­ve e que jun­to a ele ocor­ram polí­ti­cas de redu­ção da desi­gual­da­de. Esse desa­fio é gran­de, con­tu­do, ten­do em vis­ta que a nova regra fis­cal – Regi­me Fis­cal Sus­ten­tá­vel – colo­ca o inves­ti­men­to públi­co dis­pu­tan­do espa­ço no orça­men­to, jun­to com demais polí­ti­cas com poten­ci­al dis­tri­bu­ti­vo (como bol­sa famí­lia e outros bene­fí­ci­os sociais).