NPE 47: O momento do Sul Global: oportunidades para a presidência brasileira no G20

  • G20 em trans­for­ma­ção. O obje­ti­vo des­ta nota é mos­trar as trans­for­ma­ções no peso do cha­ma­do Sul Glo­bal no con­jun­to dos paí­ses que com­põem o G20, des­de a sua cri­a­ção, visan­do expli­ci­tar as mudan­ças no equi­lí­brio de for­ças den­tro do gru­po e, em decor­rên­cia, nas suas pau­tas e ações.
  • No G20, o Sul glo­bal alcan­ça o Nor­te em impor­tân­cia econô­mi­ca. Os paí­ses do Sul Glo­bal no G20 igua­la­ram o PIB ppp (pari­da­de de poder de com­pra) dos paí­ses do Nor­te (dados do Ban­co Mun­di­al). Além dis­so, os paí­ses do Sul Glo­bal têm 86% da popu­la­ção do G20 e 90% de sua popu­la­ção jovem, indi­can­do poten­ci­al para cres­ci­men­to futuro.
  • O comér­cio exter­no e a pro­du­ção têm pro­ta­go­nis­mo cres­cen­te do Sul Glo­bal. No momen­to de cri­a­ção do G20, em 1999, o peso dos paí­ses do Sul Glo­bal nas expor­ta­ções do G20 era apro­xi­ma­da­men­te 13%, atin­gin­do qua­se 40% em 2022.
  • A tran­si­ção ener­gé­ti­ca pas­sa pelo Sul Glo­bal. Com rela­ção à pro­du­ção de ele­tri­ci­da­de, os paí­ses do Sul Glo­bal do G20 ultra­pas­sa­ram os do Nor­te em 2013, ten­do hoje uma pro­du­ção que supe­ra a do Nor­te em mais de 40%. Mais rele­van­te, porém, do que a quan­ti­da­de pro­du­zi­da, é a diver­si­da­de de fon­tes. O Sul Glo­bal igua­la o Nor­te na pro­du­ção das cha­ma­das ener­gi­as lim­pas, mas ain­da tem per­cen­tu­al mui­to ele­va­do de uso do car­vão mineral.
  • O Sis­te­ma Mone­tá­rio e Finan­cei­ro Inter­na­ci­o­nal (SMFI) tem mudan­ças mais len­tas. Essa evo­lu­ção do Sul Glo­bal nas métri­cas rela­ti­vas a pro­du­ção e comér­cio não encon­tram espe­lho nos dados rela­ti­vos ao Sis­te­ma Mone­tá­rio e Finan­cei­ro Inter­na­ci­o­nal (SMFI). É per­ti­nen­te, por­tan­to, que a pre­si­dên­cia do Bra­sil no G20 tenha aten­ção par­ti­cu­lar a esse Sis­te­ma, esti­mu­lan­do ini­ci­a­ti­vas que redu­zam as suas assimetrias.
  • Mais desen­vol­vi­men­to, menos cres­ci­men­to. Nos últi­mos anos, a refe­rên­cia ao ter­mo “desen­vol­vi­men­to” nos rela­tó­ri­os do G20 supe­rou as men­ções a “cres­ci­men­to”, indi­can­do o ganho de impor­tân­cia do deba­te sobre mudan­ças estru­tu­rais e dos aspec­tos qua­li­ta­ti­vos do cres­ci­men­to econômico.
  • Novas agen­das no G20. A jul­gar pelos últi­mos rela­tó­ri­os, novos temas têm apa­re­ci­do nas dis­cus­sões do Gru­po, com des­ta­que para pau­tas como tran­si­ção ver­de, saú­de, desi­gual­da­des de gêne­ro, edu­ca­ção e coo­pe­ra­ção internacional.
  • O aumen­to do pro­ta­go­nis­mo do Sul Glo­bal con­tras­ta com uma ins­ti­tu­ci­o­na­li­da­de de gover­nan­ça ana­crô­ni­ca, que ain­da car­re­ga os resquí­ci­os da ordem for­ja­da no perío­do pós Segun­da Guer­ra Mun­di­al. A pre­si­dên­cia bra­si­lei­ra no G20 pode ter, assim, o papel his­tó­ri­co de con­tri­buir para refun­dar as ins­tân­ci­as de gover­nan­ça mun­di­al e colo­car em prá­ti­ca pau­tas que sejam caras ao Sul Global.