Estimação do Impacto na produção e no emprego do Plano de Recuperação Verde da Amazônia Legal

Anunciado em julho de 2021, o Plano de Recuperação Verde da Amazônia Legal (PRV) é uma iniciativa que, resumidamente, tem como objetivo enfrentar a atual crise econômica na região a partir da mobilização da estrutura produtiva na direção da transição para uma economia de baixo carbono. Focando na geração de renda e emprego a partir do incentivo a práticas econômicas sustentáveis, a primeira fase do PRV concentra os recursos em projetos que endereçam questões estruturais da Amazônia Legal, como o desmatamento ilegal, o potencial ainda pouco explorado da bioeconomia, as dificuldades de inovação e de capacitação da mão-de-obra e os gargalos de infraestrutura. Ao todo, essa primeira fase prevê investimentos de R$ 1,5 bilhão que serão distribuídos entre os estados da região obedecendo a critérios específicos e tendo como foco os quatro eixos centrais do Plano.

Dada a importância do PRV não apenas para o desenvolvimento da região, mas também para o debate sobre a urgência da transição para uma economia de baixo carbono no Brasil, a presente nota procura estimar, com base na literatura empírica especializada, o impacto que o PRV pode gerar na produção e no emprego da Amazônia Legal no curto prazo. As estimativas são produzidas a partir de estudos que calculam, por meio do método das matrizes insumo-produto, multiplicadores de produto e de emprego para o Brasil, para a Amazônia Legal e para os estados da região. Os resultados aqui obtidos, embora devidamente fundamentados, representam proposições ainda preliminares e de caráter aproximado, uma vez que estão sujeitas a uma série de premissas metodológicas a serem discutidas.

A partir da consideração desses estudos, esta nota sugere que os recursos de três eixos dessa fase preliminar do PRV (totalizando R$ 1,125 bi) são capazes de gerar um impacto na produção que vai até R$ 3,7 bilhões, algo em torno de 0,5% do PIB da Amazônia Legal. Com relação à geração de empregos, o impacto estimado do PRV vai até 400 mil novos postos de trabalho, um valor que, se considerada a população desocupada na região no primeiro trimestre de 2020, equivaleria a até 25% desse contingente.