Do CBAM da UE à proposta brasileira de Coalizão de Mercados de Carbono: protecionismo climático e crise do multilateralismo

Este arti­go ana­li­sa as impli­ca­ções do Meca­nis­mo de Ajus­te de Car­bo­no na Fron­tei­ra (CBAM) da União Euro­peia para a gover­nan­ça glo­bal do cli­ma, con­si­de­ran­do espe­ci­al­men­te os efei­tos poten­ci­ais do meca­nis­mo sobre a dis­tri­bui­ção dos cus­tos da des­car­bo­ni­za­ção entre paí­ses desen­vol­vi­dos e em desen­vol­vi­men­to. Argu­men­ta-se que o CBAM tan­to expres­sa quan­to apro­fun­da três ten­dên­ci­as da arqui­te­tu­ra cli­má­ti­ca inter­na­ci­o­nal, arti­cu­la­das entre si: (i) o esva­zi­a­men­to do prin­cí­pio de jus­ti­ça cli­má­ti­ca das “res­pon­sa­bi­li­da­des comuns, porém dife­ren­ci­a­das” (CBDR), evi­den­ci­a­do pelos impac­tos econô­mi­cos poten­ci­al­men­te mais gra­vo­sos do meca­nis­mo sobre os paí­ses do Sul Glo­bal; (ii) a fra­gi­li­za­ção do mul­ti­la­te­ra­lis­mo cli­má­ti­co; e (iii) a cen­tra­li­da­de cres­cen­te de estra­té­gi­as de des­car­bo­ni­za­ção coor­de­na­das pelo mer­ca­do, com des­ta­que para a pre­ci­fi­ca­ção dire­ta do car­bo­no. O arti­go sus­ten­ta ain­da que aspec­tos rele­van­tes do dese­nho do meca­nis­mo, fre­quen­te­men­te igno­ra­dos por estu­dos que simu­la­ram seus impac­tos econô­mi­cos, refle­tem a pri­o­ri­da­de con­fe­ri­da à pro­te­ção da indús­tria euro­peia em detri­men­to de obje­ti­vos ambi­en­tais, o que tem sus­ci­ta­do ques­ti­o­na­men­tos no âmbi­to da OMC. Dis­cu­te-se, por fim, a pro­pos­ta bra­si­lei­ra de Coa­li­zão Aber­ta para Mer­ca­dos Regu­la­dos de Car­bo­no, lan­ça­da em Belém, em novem­bro de 2025, no con­tex­to da COP 30.

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