Desigualdade de renda e riqueza como condicionantes da eficácia dos gastos públicos ambientais na redução das emissões de carbono: Evidências dos países da OCDE
A transição para uma economia de baixo carbono exige investimentos públicos significativos, mas sua eficácia pode depender das condições distributivas em que são implementados. Esta Nota de Política Econômica investiga se desigualdades de renda e riqueza condicionam os efeitos dos gastos públicos com proteção ambiental sobre a intensidade de carbono da economia.
Utilizando um painel anual de 25 economias avançadas da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) entre 1995 e 2021 e o método de Projeções Locais não-lineares, analisamos três dimensões distributivas: desigualdade da renda disponível, concentração da riqueza no topo da distribuição e salário real médio controlado pela produtividade do trabalho.
Os resultados mostram que os gastos públicos com proteção ambiental são mais eficazes em contextos de melhores condições distributivas. Um aumento de 10% nesses gastos reduz a taxa de crescimento da intensidade de carbono (CO2/PIB) em aproximadamente 0,52% no quinto período após o choque em regimes de menor desigualdade da renda disponível. O efeito é ainda mais expressivo quando a concentração de riqueza é menor: a redução alcança cerca de 1,86% no quinto período após o choque em regimes de menor participação da riqueza detida pelos 0,1% mais ricos. Além disso, salários reais médios mais elevados, controlados pela produtividade do trabalho, estão associados a uma redução de aproximadamente 0,23% na intensidade de carbono já no segundo período após o choque.
As evidências indicam que a desigualdade afeta a transmissão da política fiscal ambiental por diferentes canais, relacionados à demanda agregada, aos padrões de consumo, à estrutura de propriedade dos ativos e à difusão de tecnologias limpas. Assim, políticas ambientais e redistributivas podem e devem ser consideradas de forma complementar: estruturas econômicas caracterizadas por perfis distributivos menos desiguais tendem a ampliar a capacidade dos gastos públicos verdes de promover a descarbonização.
