A macroeconomia do governo Lula 3 até agora e o que vem pela frente: o que as pesquisas do Made mostram sobre a trajetória macroeconômica nos últimos anos e os desafios futuros

Esta Nota reú­ne os prin­ci­pais resul­ta­dos das pes­qui­sas do Made sobre a macro­e­co­no­mia bra­si­lei­ra entre 2023 e 2025 e dis­cu­te os desa­fi­os que se colo­cam para o pró­xi­mo gover­no, com foco na rela­ção entre cres­ci­men­to econô­mi­co e desi­gual­da­de de ren­da. Os três pri­mei­ros anos do gover­no Lula 3 foram mar­ca­dos por um cres­ci­men­to sis­te­ma­ti­ca­men­te aci­ma das expec­ta­ti­vas de mer­ca­do e pelos meno­res níveis de desem­pre­go e pobre­za da série his­tó­ri­ca. Argu­men­ta­mos que esse desem­pe­nho decor­reu da reto­ma­da de uma polí­ti­ca fis­cal ati­va, via­bi­li­za­da pela subs­ti­tui­ção do Teto de Gas­tos pelo Regi­me Fis­cal Sus­ten­tá­vel. Mais do que o tama­nho do gas­to, sua com­po­si­ção foi deci­si­va: o novo espa­ço fis­cal inclui polí­ti­cas como o novo Bol­sa Famí­lia, a valo­ri­za­ção do salá­rio míni­mo e a reto­ma­da de inves­ti­men­to públi­co, jus­ta­men­te os gas­tos com mai­or capa­ci­da­de de esti­mu­lar a eco­no­mia e redu­zir desi­gual­da­des. Em segui­da, mos­tra­mos que a desa­ce­le­ra­ção de 2025 e 2026 não con­fi­gu­ra um qua­dro de cri­se, mas refle­te os efei­tos acu­mu­la­dos de juros mui­to ele­va­dos e o fim do impul­so fis­cal. O dese­nho da regra fis­cal com­pri­me gra­du­al­men­te o espa­ço para o gas­to públi­co e acir­ra a dis­pu­ta orça­men­tá­ria em tor­no de des­pe­sas essen­ci­ais. Por outro lado, a refor­ma do Impos­to de Ren­da, ao ampli­ar a isen­ção na base e ins­ti­tuir uma tri­bu­ta­ção míni­ma no topo, reduz a desi­gual­da­de e deve dar algum fôle­go à ati­vi­da­de, ain­da que não eli­mi­ne a bai­xa tri­bu­ta­ção dos mais ricos. Por fim, dis­cu­ti­mos os cami­nhos para o pró­xi­mo gover­no. Sus­ten­tar o cres­ci­men­to com a redu­ção das desi­gual­da­des exi­gi­rá ampli­ar o espa­ço fis­cal e melho­rar sua com­po­si­ção, o que pas­sa por rever os parâ­me­tros da regra fis­cal e apro­fun­dar a pro­gres­si­vi­da­de tri­bu­tá­ria, evi­tan­do ajus­tes base­a­dos em cor­tes de gas­tos que ampli­am as desi­gual­da­des. Mos­tra­mos tam­bém que a sus­ten­ta­bi­li­da­de da dívi­da públi­ca não depen­de ape­nas do resul­ta­do pri­má­rio. Como gran­de par­te da dívi­da bra­si­lei­ra está atre­la­da à Selic, o nível da taxa de juros pesa deci­si­va­men­te sobre sua tra­je­tó­ria, o que tor­na indis­pen­sá­vel incluir o deba­te sobre os juros na agen­da fiscal.

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