O aquecimento da economia explica a elevação dos preços? Uma análise desagregada da Curva de Phillips para a inflação por grupos do IPCA
Este estudo investiga a relação entre o nível de atividade econômica, medido pelo hiato do produto, e a inflação no Brasil, considerando o índice de preços ao consumidor amplo (IPCA) tanto em sua forma agregada quanto desagregada por grupos de produtos. Utilizando modelos de Mínimos Quadrados em Dois Estágios (MQ2E), estima-se a resposta da inflação à demanda agregada no período recente, com o objetivo de avaliar a efetividade da política monetária via canal de demanda. Os resultados indicam que a sensibilidade do índice geral de preços a variações na demanda agregada não é estatisticamente significativa mesmo a 10%. Quando os dados são analisados de forma desagregada, apenas os grupos de ‘vestuário’ e ‘despesas pessoais’ apresentam resposta estatisticamente significativa à demanda agregada, enquanto os demais grupos não revelam relação significativa. Esses resultados sugerem que o processo inflacionário brasileiro, para grande parte dos segmentos, é menos sensível ao ciclo econômico do que se costuma conceber. Decorre disso a necessidade de considerar fatores como choques de oferta, preços administrados e rigidez contratual para a dinâmica dos preços no país. As implicações para a política monetária são relevantes, indicando que a utilização da taxa Selic como ferramenta de controle inflacionário pode apresentar limitações substantivas devido à baixa sensibilidade dos preços a variações na demanda agregada.
